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Neste livro, Mark Fisher explora como, no mundo capitalista contemporâneo, as fronteiras entre humanos e máquinas, realidade e simulação, organismo e informação se tornam cada vez mais instáveis, transformando profundamente a experiência humana.
Primeiro grande estudo de Fisher, baseado em sua tese de doutorado, a obra articula a teoria de autores como Deleuze e Guattari, Baudrillard e Freud à literatura de ficção científica e de horror. Em um cenário marcado pela automação, pelas redes de informação e pela mediação tecnológica da vida cotidiana, sistemas e máquinas deixam de ser meras ferramentas para assumir um papel cada vez mais ativo na produção da realidade social. A ficção científica deixa de ser apenas um exercício de imaginação e representação sobre o futuro para se tornar uma lente privilegiada para compreender as mutações do presente.
Desse diagnóstico Fisher extrai a ideia de um “materialismo gótico”, em que o real assume contornos estranhos e inquietantes, e distinções antes estáveis – entre vida e não vida, sujeito e sistema, humano e máquina – começam a se desfazer. Entre teoria, crítica cultural e imaginação especulativa, Materialismo gótico e ficção teórica cibernética revela como essas transformações estão ligadas às próprias estruturas do capitalismo contemporâneo e às tecnologias que o sustentam. O livro oferece um mapa conceitual para compreender um mundo em que o estranho já não pertence à ficção, mas à própria realidade.












