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Nesta segunda edição, revista e ampliada com novos capítulos e análises, Rodrigo Nunes atualiza o livro originalmente publicado em 2022. O autor oferece aqui uma ferramenta crítica para compreender os fundamentos do bolsonarismo, demonstrando que a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro não eliminou as condições estruturais e afetivas que alimentam a extrema direita na base da sociedade. Diante de desdobramentos recentes – como o 8 de janeiro, a consolidação de Javier Milei e o retorno de Donald Trump –, a obra traz novas contribuições teóricas e empíricas para analisar esse fenômeno de escala global.
Duas vezes maior que a primeira edição, o livro investiga como a extrema direita deixou de ser uma reação intempestiva para se transformar em uma estratégia racional de gestão do colapso do capitalismo tardio e da crise climática. Esta nova versão traz blocos e seções inéditas sobre a penetração da extrema direita na “manosfera” (subculturas masculinas e o mundo red pill), a relação entre o empreendedorismo e o trabalho de plataforma, o impacto de raça e religião no movimento, e uma análise sobre a aplicabilidade do conceito de fascismo hoje.
Nunes introduz ainda uma defesa metodológica crucial: a de que fenômenos globais são mais bem compreendidos a partir da periferia. O Brasil funciona como um laboratório do “capitalismo de capataz”, antecipando um mundo em que o Estado abre mão de suas promessas universalistas para gerir a violência por vias privadas, revelando nuances que análises focadas na Europa ou nos Estados Unidos não conseguem enxergar. Além disso, propõe uma teoria sistêmica sobre como a lógica algorítmica e a economia da atenção transformaram a militância digital em uma “hiperpolítica” que coloniza a nossa subjetividade.
Em uma conclusão escrita em 2026, o filósofo argumenta que não devemos levar o discurso da extrema direita ao pé da letra como uma força nostálgica, mas sim entendê-la como um vetor de aceleração do colapso – da democracia, do meio ambiente e da inclusão liberal. Longe de ser um diagnóstico passivo, a obra propõe um balanço estratégico fundamental para a esquerda. Afinal, deixar para trás o transe das fantasias de extrema direita é essencial para que possamos encarar a vertigem dos verdadeiros problemas de nosso tempo.



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